Do local onde nos encontrávamos, pudemos observar que o rio Ocreza passava por um caminho bastante diferente ao longo do seu percurso. De montante para jusante, o vale era bastante estreito, de vertentes altas e escarpadas. Depois, de repente, passa a ser bastante menos escarpado, mais largo e menos rochoso. No local de encontro entre estas duas zonas, dá-nos a sensação que o rio passa por umas portas. Daí a designação "Portas" de Almourão.
Portas de Almourão. Inicialmente o vale, no local onde as rochas são mais claras, é bastante escarpado.
Depois passa a ser menos rochoso e coberto de vegetação, bastante mais largo e de vertentes mais suaves.
O que é que motivará esta diferença? Possivelmente a diferença de rochas.
As rochas mais escuras são quartzitos, e as rochas da zona mais larga são xistos. O rio teve de erodir o caminho para poder passar através das rochas. Quanto mais duras e resistentes forem essas rochas, mais escarpado será o vale, como acontece com os quartzitos. Na fotografia abaixo, encontra-se uma amostra de quartzito, que fotografámos no local.
Os quartzitos são rochas metamórficas bastante duras, resultantes da alteração de areias siliciosas, constituídas principalmente por quartzo, o mineral que na escala de Mohs apresenta uma dureza de 7.
Já os xistos, são rochas metamórficas, resultantes da compressão das argilas. Como são menos resistentes, são mais facilmente erodidos pela passagem da água, originando-se assim vales mais largos.
Amostras de xistos argilosos, que fotografámos no local.
É óbvia na imagem a pouca resistência destas rochas à pressão e à alteração.